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Curiosidades sobre a imprensa brasileira da colônia à democracia

Ironias à parte, nunca na história desse país, a imprensa brasileira foi tão contestada quanto na atualidade. Mais do que a discussão sobre o seu real papel na sociedade, ela tem sido colocada em “cheque”, questionada e duramente criticada.

Mas não pense que isso é algo novo, devido à polarização política que estamos vivendo. Durante toda sua história, a imprensa brasileira sempre esteve na linha de frente, em tempos de guerra ou paz, principalmente porque o seu papel é justamente relatar os acontecimentos, algo que muitas vezes desagrada alguns lados.

Inclusive, essa linha tênue, que a coloca entre o bem e o mal, é o caminho praticado pela imprensa em todo mundo, não apenas aqui no Brasil.

Como bem disse o ex-presidente dos Estados Unidos, autor da Declaração da Independência norte-americana, Thomas Jefferson: “Nossa liberdade depende da liberdade da imprensa, e ela não pode ser limitada sem ser perdida…”

Sendo assim, segundo ele, “Se quisermos nos proteger contra a ignorância e permanecer livres, é responsabilidade de todo americano permanecer informado”, conselho válido para o resto da humanidade.

Uma das melhores maneiras de se manter informado e não se tornar alvo fácil de manipulação político ideológica é buscando a verdade dos fatos, em diversas fontes de informação.

A pluralidade da imprensa é o que garante à população a possibilidade de criar suas próprias reflexões e conclusões sobre a realidade dos fatos, e isso só é possível quando a imprensa é livre.

Portanto, defender a liberdade de expressão, não deve ser uma preocupação apenas da imprensa, mas sim de toda sociedade.

Dessa forma, independente das motivações políticas, ideológicas ou mercadológicas que, colocaram a imprensa brasileira nesse papel desconfortável que ocupa atualmente, devemos seguir a máxima do pensador francês Voltaire “Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo. ”

Um exemplo da importância da imprensa e sua essencialidade para a sociedade, é a pandemia do novo coronavírus.

De um lado, os interesses políticos relacionados à divulgação de determinadas notícias, do outro, pesquisas científicas e comprovações médicas embasadas em estudos sérios e em um terceiro lado, a propagação de uma rede de Fake News.

Cabe a imprensa, e ela tem feito isto muito bem, desmistificar crenças e divulgar fatos verídicos, relevantes e de interesse da população, como forma de empoderar e proteger as pessoas, através do conhecimento.

Nesse momento, informação salva, e a maior arma de todos contra a Covid-19, é justamente conhecer suas causas e se prevenir das consequências.

Não por acaso, apesar dos ataques à imprensa, hoje, ela voltou a ser, reconhecidamente, o meio mais confiável para verificar se uma informação é falsa ou verdadeira.

Desta forma, a imprensa tem retomado os seus dois principais pilares:

  • Credibilidade;
  • Responsabilidade social.

10 Curiosidades sobre a imprensa brasileira

Aproveitando a comemoração do Dia da imprensa, separamos 10 fatos interessantes sobre a imprensa brasileira, em uma verdadeira viagem da colônia à democracia. Confira!

1) A imprensa brasileira chegou ao Brasil, em 1808, junto com a família real, época em que foi criada a Imprensa Régia, onde foi editado o primeiro jornal da colônia “A Gazeta do Rio de Janeiro”.

2) O mais interessante é que assim que a imprensa “pisou” em solo brasileiro, chegou com ela a censura. O jornal, que era publicado duas vezes por semana, era um veículo para falar bem da Casa de Bragança, e o Brasil era tratado como um paraíso dos trópicos (algo bem distante da realidade). Não se imprimia nada contra “religião, o governo e os bons costumes”.

3) Claro, que junto com a censura prévia, também nascia a resistência! Assim, surgiam vários jornais clandestinos, sendo o mais famoso da época, o “Armazém Literário” ou “Correio Braziliense”. Mensal e com mais de 100 páginas, ele era exilado em Londres e tinha como propósito a independência. Por isso, tem gente que considera, que a verdadeira imprensa brasileira, na verdade, nasceu na Inglaterra.

4) Em 28 de agosto, de 1821, d. Pedro I assinou o documento que garantiria a Liberdade de Imprensa, válido até 1972, ano, em que a Polícia Federal deu a seguinte ordem: “Está proibida a publicação do decreto de D.Pedro, datada do século passado, abolindo a Censura no Brasil. Também está proibido qualquer comentário a respeito. ”

5) Ainda em 1821, com o fim da censura prévia, surgiram vários jornais que tinham como missão, mobilizar a opinião da Colônia contra a dominação portuguesa. Correio do Rio de Janeiro, Gazeta Pernambucana e tantos outros periódicos foram lançados nessa época, e fizeram história.

6) Em 1821, o Diário do Rio de Janeiro, mudava o modelo editorial do jornalismo doutrinário para o jornalismo do cotidiano, trazendo notícias do dia a dia da colônia, implementando editorias e até a publicação de anúncios, algo inédito até então.

7) Dando um salto na história da imprensa brasileira, em 1939, o governo criou o Departamento de Imprensa e Propaganda, com as atribuições de censurar entre outras produções a jornalística, controlando conteúdos e insumos como o abastecimento de papel, por exemplo. Foram anos difíceis, truculentos e sanguinários, para veículos e profissionais de imprensa.

8) Durante a Ditadura Militar, houve um período mais crítico da censura, época que a polícia política vigiava tudo de perto. Os jornais eram obrigados a reproduzir propaganda estatal e tinham muitas matérias proibidas. Muitas vezes, buscando burlar o sistema, eles publicavam receitas de bolo “subversivas”, com ingredientes errados e exagerados, como forma de chamar atenção do leitor e transmitir: “a informação estava aqui e foi censurada”.

9) Não por acaso, as receitas de bolo se tornaram emblemáticas e até hoje, vez ou outra, são lembradas e até publicadas como protesto, uma forma de ressaltar, que mesmo não sendo mais aqueles tempos, a censura está à espreita e precisa ser combatida;

10) Apenas em 1988, a constituição brasileira voltou a consagrar a Liberdade de Pensamento e Expressão. Nos artigos 5 a 220, o texto defende de forma ampla a produção artística, as manifestações culturais, a difusão da informação e o acesso a ela.

Como podem ver, desde a luta pela independência do Brasil, passando pela abolição da escravatura, pelo direito de votar, e principalmente pela liberdade de expressão, a imprensa sempre cumpriu seu papel, cada qual a sua maneira e de acordo com as possibilidades de sua época.

Então, sempre que ver alguém atacando a imprensa, reflita sobre a importância dela, para a construção de uma sociedade justa e democrática.

Todo mundo tem direito de não confiar, muito ao menos se identificar, com a postura de determinado órgão de imprensa, ou jornalista, mas ninguém pode querer cercear o direito deles atuarem. Na dúvida, é simples: procure outra fonte!

Na Eagence, nós entendemos a imprensa como um instrumento essencial para a democracia e defendemos sua importância enquanto consciência e voz de uma sociedade.

 

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